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Junções

Generalidades. As ligações adotadas nas artes da madeira são necessárias para evitar os pregos, os parafusos, para reforçar a construção, formar as peças do tamanho preciso, e para dar a forma ao móvel ou à obra de carpintaria. Uma junta seca de topo, sem espiga, sem cavilhas e sem meia madeira, seria inútil, pois não teria a resistência suficiente.

As junções mais usadas são feitas com espigas, cavilha, malhe, canais, macho e fêmea e a meio-fio. O pouco ou muito esforço que a peça faz, determina o tamanho e o número de espigas ou cavilhas que deve ter. Em certas emendas nos preocupamos com a resistência, noutras, com a resistência e a estética simultaneamente, segundo a classe do trabalho.

Os malheis da gaveta de um móvel fino, por exemplo, devem ser bem proporcionados quanto ao tamanho, devem ter os ângulos que agradem e estar bem ajustados. As espigas de suas portas deixam de ser varadas e têm o talão encoberto. A mesma preocupação estética não ê necessária nas juntas das outras partes, como sejam lados, fundos, etc. Para reforçar a junta de um tampo, lançamos mão de cavilhas, espigas postiças ou talas. Em casos especiais, recorremos até à cavilha de ferro, visto a resistência de esse material permitir que se reduza ao mínimo sua grossura.

Junta seca. É a que fazemos só com cola, sem reforço algum de cavilhas, etc. Junta com macho e fêmea. Reforça-se a colagem desta junta fazendo-se canal numa peça e macho na outra. Esta junta nem sempre é colada. Junta a meio-fio. Diz-se que é a meio-fio a junção que consiste em remontar parte de uma peça na outra, por meio de rebaixos de mais ou menos um centímetro de largura, feitos em faces uma oposta à outra.

Junta com cavilhas. Esta junta tem cavilhas espaçadas que servem para evitar que a madeira se descole e para facilitar a colagem de peças com torturas longitudinais. Junta com espigas. Às vezes, em lugar de cavilhas, colocam-se espigas nas juntas, para reforçá-las. E uma construção bem mais resistente que as precedentes, porém muito mais trabalhosa.

Junta com macho postiço. Quando não dispomos de material aparelhado e com macho e fêmea, e não temos máquina própria para fazer essa operação, abrimos um canal em cada peça e colocamos uma tala num dos canais, para servir de macho. E evidente que o efeito dessa construção é idêntico ao da junta com macho e fêmea. Este macho postiço tem a vantagem de não reduzir a largura de uma das duas peças ajuntar. Junta com malhe te e ganzepe. Ganzepe é o macho de um malhe te comprido. Esta junta é muito importante, mas só pode ser feita com rapidez e perfeição, em máquina na qual se possa colocar uma fresa cônica. Junta com papel no meio. As peças que devem ser abertas no meio, como colunas, etc., quando colocadas metade em cada pilar, para serem trabalhadas com facilidade no torno, ou á mão, são compostas de duas metades colocadas com papel na junta. Terminada sua execução, abre se lhe a junta com facilidade. As vezes convém fazê-las inteiriças e abri-las no meio com serra circular, pregando-lhe no topo uma tabuinha para não virar.

Ângulo de junções. O angulo de corte das junções varia com a forma do móvel. Os ângulos mais usados são o de 45° e o de 900. Na ligação dessas peças entram os mesmos elementos referidos na descrição das emendas, ou seja: espiga simples, duplas, cavilhas, malheis e almas ou tal iscas, e talas, ou macho postiço. Juntas abertas. Têm-se feito juntas para almofadas, para tampos de mesa, etc. com todo o rigor da técnica, sem deixar abertura no meio nem nas pontas; coladas com cola consistente e nova e apertadas com dois e até mais sargentos, segundo o comprimento das mesmas; contudo, dias depois, uma delas abre numa das pontas. Como se explica isso? Pergunta o marceneiro pouco experiente. De fato, parece difícil a explicação, todavia não há nada mais fácil: uma ou ambas as tábuas em que a junta cedeu, estivera em contato com o solo absorvendo-lhe a umidade. Evaporada esta, a madeira encolheu fazendo abrir a junta alguns milímetros.

A lição que devemos tirar desse insucesso é a seguffite: nunca deixemos madeiras a colar em lugares úmidos, bem como não devemos molhar parte das mesmas sem lhe dar tempo de secar completamente. A maioria dos marceneiros tem o mau hábito de deixar uma pequena abertura no meio da junta, quando esta não é muito comprida; procedem assim para poder colar as tábuas com um só aperto no meio. E técnica errada essa, porque, em regra, a madeira é mais seca nas pontas do que no meio, e assim acontece descolar no centro por causa da abertura deixada, bem como pela retração maior da madeira nesse ponto. Para um serviço criterioso, evite-se essa abertura, e cole-se com dois apertos, se o caso for para tácito.

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